Flamengo 3 x 1 Seleção do Japão
Copa Kirin - 29/05/1988 - Estádio: Nacional - Tóquio JAP
Time: Cantarele, Valmir (Gonçalves), Leandro, Edinho, Paulo Cesar, Delacir, Gilmar, Zico, Gerson, Marcio e Paloma (Cosme).
Gols: Zico, Paulo Cesar e Delacir.
O que falar dele? Não há mais nada a se dizer do Deus da Nação. Qualquer adjetivo é pequeno demais para definir o Galinho, o meu maior ídolo. Com ele, minha infância e adolescência foram felizes demais. Zico também foi o único jogador que me fez chorar em estádios de futebol. Chorei muito na sua despedida (foram os 90 minutos mais tristes no Maracanã). Chorei na Copa de 86, não pela derrota do Brasil, mas pelo massacre da opinião publica sobre ele. Choro em todos os Jogos das Estrelas em que ele atua. E chorei muito em um jogo especial…
O ano era 1988 e defendíamos o título brasileiro. Vínhamos de uma vitória marcante por 5×1 no Brinco de Ouro da Princesa sobre o badaladíssimo Guarani do meio campo Neto (aquele mesmo do Corinthians). O adversário agora era o Criciúma no Maracanã. Mais um show da dupla Zico e Bebeto me deixava em êxtase na arquibancada. Em meados do segundo tempo, Zico faz um golaço daqueles que nunca sairiam da minha memória. Um chute forte que deixou o goleiro atônito. Esse gol, marcante por motivos óbvios, também me constrangeu muito. Na comemoração dei um tapa sem querer no torcedor ao lado, que fez o óculos do coitado voar uns 15 degraus da arquibancada. Passei o resto do jogo pedindo desculpas ao cidadão cegueta que levou uma porrada digna de Anselmo em Mario Soto.
A partir dali fui a praticamente todos os jogos em que Zico estava em campo. Sabia que o fim estava próximo e queria aproveitar cada momento que restava. Essa partida foi apenas uma das centenas que ele me fez feliz. Um dia espero conhecê-lo pessoalmente só para poder agradecer pelo que fez pela minha vida e por ser meu maior exemplo de caráter, dedicação e modelo de cidadão que norteará sempre a minha existência.
Nasci em uma família rubro-negra. Todos os 10 moradores de minha casa eram flamenguistas. Não tinha como eu não ser também, principalmente tendo um avô e um pai como os meus, cujo assunto preferido era futebol. Por isso, a rotina dominical era religiosamente seguida, fizesse chuva ou sol: à tardinha, todos os homens da minha casa vestiam o manto menos furados e iam ao Maracanã.
E eu me tornei um homem aos 7 anos de idade, no Brasileiro de 1981, mas precisamente no dia 5 de abril, no jogo Flamengo x Colorado. Ainda lembro o impacto que me causou a subida do túnel da arquibancada do Maracanã. A cada passo o barulho do Estádio ia aumentando e boquiaberto observei a imensidão do evento. Avistar a torcida e aquele gramado verde foi algo deslumbrante.
Lembro de minha inquietação ao notar que só ouvia o som do estádio e da minha insistência em perguntar: “Vô, cadê o narrador?” Passou um helicóptero: “Vô, cadê o narrador?” O jogo começou: “Vô, cadê o narrador?” (E pensar que hoje em dia mando o Galvão Bueno calar a boca!). O jogo em si foi marcante também. Para quem não sabe, o Colorado rivalizava com o Atlético-PR e Coritiba no estado paranaense (em 1989, ele e o Pinheiros juntaram forças e formaram uma nova agremiação: o Paraná Clube). Vinte dias antes desse confronto no Maracanã, o Flamengo levou uma goleada de 4 x 0 no Couto Pereira. Além do caráter de revanche, a partida era decisiva para avançar de fase no campeonato brasileiro. Mais de sessenta mil pessoas foram ver esse encontro e, entre esses milhares, “euzinho da silva”.
O jogo foi dificílimo. Apesar do timaço do Flamengo jogar em casa, a equipe Colorada conseguia resistir às investidas rubro-negras e aplicava alguns sustos. Já no fim do primeiro tempo, silenciou a torcida ao fazer o seu gol, após um chute cruzado da direita, onde o atacante Aladim só teve o trabalho de escorar para o gol vazio.
Que sensação ruim... O primeiro gol que vi no Maracanã não foi do Flamengo. Meu avô aproveitou para tirar onda comigo. Chamava-me de pé frio e que não fez bem em ter me levado para um jogo tão importante. Pior que na mente de uma criança, isso soa como verdade. Veio o intervalo e meu avô já estava “de bem” comigo. Como era gostoso aquele picolé escorrendo pela mão!
Começa o segundo tempo, sorvete limpo no short e olhos vidrados no jogo. Nunca fui daquele tipo de criança em que o jogo corre solto e a desgraçada tá olhando pro céu, pro placar ou pra criança do lado. Ainda mais com o time perdendo e eu sendo o responsável pela derrota. O jogo transcorria tenso e a pressão empregada pelo Mengo estava implacável.
Perdíamos vários gols, e agonia ia aumentando... Mas quem tem Zico tem tudo! O Galinho estava encapetado e comandou a virada. Dois golaços em dois minutos, já no período final da partida.
Voltei em estado de euforia para casa. Caramba, ir ao maior estádio do mundo, ver o Flamengo vencer e ainda com gols do seu maior ídolo, não tem preço! No dia seguinte na escola, a marra tradicional de todo flamenguista estava incorporada em mim. Eu era o único da minha classe que já tinha ido ao Maraca. E os amiguinhos tiveram que aturar as minhas narrativas detalhadas do espetáculo que eu presenciara. Coitados...
Nesse mesmo ano, fui várias vezes ao Maracanã, inclusive no primeiro jogo da final da Libertadores, contra o Cobreloa (o jogo mais importante que vi no Maracanã, apesar de, na época, não ter noção do que a Libertadores significava).
Nesse ano, o fanatismo já havia tomado conta de mim. A prova é que, semanas depois, na famosa final do “Ladrilheiro”, me recusei a ir a 1ª Comunhão de minha prima para poder ficar em casa, ouvindo a Decisão pelo rádio. Era a primeira vez que ficava em casa sozinho. Na semana seguinte, eu era um dos milhões de brasileiros acordados na madrugada para ver o Flamengo conquistar o Mundo, mas aí conto numa outra oportunidade.
Hoje fiz questão de compartilhar com vocês o dia em que me tornei um homem de verdade. O dia que conheci a casa da Nação Rubro-negra e que nela o Mengão se impôs. Obrigado aos homens da minha casa (avô, pai e tios) que me tornaram flamenguista. Obrigado, Zico, por ter feito esse dia ainda mais perfeito. Obrigado, Flamengo. por ser tão maravilhoso! Obrigado a vocês que conseguiram chegar até o final do texto! Tomara que de alguma forma isso remeta a lembranças que, assim como a minha, nunca sairão de suas mentes.
Flamengo 2 x 1 Colorado 5 de abril de 1981 – Campeonato Brasileiro Estádio do Maracanã – Rio de Janeiro - Público: 61.749 Árbitro: Márcio Campos Sales Flamengo: Raul, Carlos Alberto (Fumanchu), Luís Pereira, Marinho, Júnior, Vítor, Adílio, Zico, Tita, Nunes, Ronaldo. Técnico: Modesto Bria. Colorado: Joel Mendes, Sídnei, Marião, Caxias, Ivo, Newton (Sartóri), Peres, Marinho, Buião, Jorge Nobre, Aladim. Técnico: Geraldino Damasceno. Gols: Aladim, aos 39 do 1º tempo. Zico aos 33 e 35 do 2º tempo.
Para não cometer ofensa à história do Centenário clássico Fla-Flu, jamais ousaria escrever sobre ele. Nelson Rodrigues e Mário Filho se contorceriam dentro do caixão. Deixo com vocês apenas as imagens de um jogo inesquecível.
Em 20 de janeiro de 1999 foi organizado um Fla-Flu para comemorar a data do padroeiro da Cidade do Rio de Janeiro, São Sebastião. Seria o primeiro jogo da temporada e também a reabertura da geral do Maracanã, depois de alguns anos fechada. Durante umas duas semanas o evento foi amplamente divulgado nos veículos de comunicação e o amistoso ganhava ares de decisão de campeonato. Mais de noventa mil pessoas compareceram para ver o duelo do time de Romário contra o de Túlio Maravilha, principal contratação do time das Laranjeiras para disputa da série C daquele ano.
Apesar do calor de mais de 40 graus, as pessoas que compareceram ao caldeirão do Maraca não se arrependeram nem um pouco do calor escaldante. Foi um jogão, com direito a oito gols, pênalti defendido e consagração de Romário. Uma exibição de gala daquele que seria o time campeão Estadual daquele ano. Destaque também para a ótima participação de Caio e do centroavante Marcelo (aquele que faria quatro contra a gente pelo Madureira em 2007). Nada mais intenso do que um Fla-Flu. Nada mais lindo do que a torcida do Flamengo no Maracanã. Flamengo 5 x 3 Fluminense 20 de janeiro de 1999 –Troféu São Sebastião Estádio do Maracanã – Rio de Janeiro Público: 93.415 Árbitro: Ubiraci Damásio Flamengo: Clemer, Pimentel, Fabão, Ronaldo, Athirson (Marco Antônio), Jorginho, Cleison, Beto, Iranildo (Rodrigo Fabri), Caio (Marcelo Santos) e Romário. Técnico: Evaristo de Macedo. Fluminense: Adilson, Paulo César (Flávio), Gelson, Emerson, Nonato, Roberto Brum (Leandro), Jorge Luís, Bruno Reis (Marco Brito),Róger (Magno Alves), Roni (Artur) e Túlio. Técnico: Carlos Alberto Parreira. Gols: Romário, aos 25 e 30, Emerson aos 32, Caio aos 36 e 44, Roni aos 39 do 1º tempo. Magno Alves aos 44 e Marcelo Santos aos 46 do 2º tempo. Postado originalmente por Marcelo Espíndola em : http://www.acimadetudorubronegro.com